Lilith
Por Jorge Pinheiro
“Os gatos selvagens encontram-se lá com as hienas e os bodes fazem de Edom o lugar de encontro. O fantasma Lilit vai instalar-se lá e encontrar o lugar do seu repouso”. Isaías 34:14
לִילִית Lilith é um succubus, um demônio sexual feminino, que de acordo com interpretações rabínicas da criação, em Gênesis, seria a primeira mulher de Adão. Na época não era um demônio, mas companheira de Adão que acreditava ter sido formada com a mesma matéria-prima do homem. Por isso, Lilith rebelou-se contra a autoridade masculina e se recusou a ficar por baixo durante as relações sexuais com seu companheiro.
Ela confrontava Adão: ‘‘Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti? Eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual.’’
Quando reclamou de sua condição a Deus, ele disse que essa era uma decisão dele, o que levou Lilith a abandonar o Éden por livre e espontânea vontade. Três anjos foram enviados para convencê-la a voltar, mas ela recusou. Juntou-se aos anjos caídos e passou a ser companheira de Samael, o anjo que mais tarde tentaria Eva.
Depois que Adão foi expulso do paraíso, Lilith escolheu como objetivo destruir os humanos, filhos de Adão e Eva. E passou a perseguir os adúlteros, os recém-casados e as crianças recém-nascidas.
Durante a Idade Média, na tradição judaica, Lilith foi transformada no modelo do demônio temido, dando origem a mitos de que seria vampira, que podia ter cem filhos por dia, súcubos, demônios femininos, e íncubos, demônios masculinos, que se alimentam da energia desprendida no ato sexual e também do sangue menstrual. Ela, suas filhas e filhos poderiam manipular os sonhos, seriam responsáveis pelo erotismo noturno e pelas poluções noturnas. Os súcubos, afirmavam, tinham tal força que podiam cortar um pênis com uma contração vaginal. E caso um homem fosse possuído por um desses demônios-fêmea não sobreviveria. Por isso, as mulheres costumavam acordar seus maridos, caso sorrissem durante o sono, pois poderiam estar sendo seduzidos por Lilith. E relatos católicos medievais dizem que muitos homens morreram assim.
Demônio polêmico, sem dúvida, que ainda povoa os sonhos de muita gente, que à maneira medieval clama os nomes dos três anjos, Sanvi, Sansavi e Samangelaf, que foram atrás de Lillith quando ela deixou o paraíso, por acreditar que Lilith ainda tem medo deles.
Para nós que fomos lavados pelo sangue de Jesus, permanece a promessa de que “aquele que habita sob a proteção do Altíssimo e mora à sombra do Onipotente, pode exclamar: ´Ó Senhor, tu és o meu refúgio, o meu castelo, o meu Deus, em quem confio!´ Na verdade, ele há-de livrar-te de armadilhas ocultas e proteger-te contra venenos mortais. Ele te cobrirá com as suas asas e ficarás seguro sob os seus cuidados; com o seu poder te protegerá e defenderá! Não tenhas medo dos perigos da noite”. Salmo 91.1-5.
Veja primeiro esta pintura "Lilith", criada em 1892 por John Collier
