jeudi 25 juin 2026

O Cristianismo vermelho, livro em português

 

Le Christianisme rouge : Foi et politique dans la fondation du PT
Jorge Pinheiro dos Santos




O Cristianismo Vermelho : Fé e política na fundação do PT
Jorge Pinheiro dos Santos




PRÉSENTATION / APRESENTAÇÃO




Dans ce livre, moi, Jorge Pinheiro dos Santos, théologien, journaliste et ancien militant de la Convergência Socialista, j'analyse la fondation du Parti des Travailleurs (PT) brésilien à travers le prisme de la rencontre entre christianisme social et socialismes. J'ai vécu l'exil chilien, la lutte contre la dictature militaire et la naissance du PT. Je mêle ici rigueur académique et témoignage personnel. Je démontre que le PT fut un parti inédit, né des luttes syndicales, des communautés ecclésiales de base et des courants marxistes non orthodoxes. La présentation, signée par le professeur Leonardo Tricot Saldanha, souligne l'actualité de cette analyse face aux crises politiques brésiliennes. Je couvre la période de 1945 à 1999, et je propose une lecture théologique finale sur le sens de l'utopie socialiste.



Neste livro, eu, Jorge Pinheiro dos Santos, teólogo, jornalista e ex-militante da Convergência Socialista, analiso a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) brasileiro através do prisma do encontro entre cristianismo social e socialismos. Vivi o exílio chileno, a luta contra a ditadura militar e o nascimento do PT. Alio aqui rigor acadêmico e testemunho pessoal. Demonstro que o PT foi um partido inédito, nascido das lutas sindicais, das comunidades eclesiais de base e das correntes marxistas não ortodoxas. A apresentação, assinada pelo professor Leonardo Tricot Saldanha, sublinha a atualidade desta análise face às crises políticas brasileiras. Cubro o período de 1945 a 1999, e proponho uma leitura teológica final sobre o sentido da utopia socialista.



INTRODUCTION / INTRODUÇÃO





Dans l'introduction, je pose la question centrale : qu'est-ce que le PT ? Un parti marxiste-léniniste, social-démocrate, travailliste, ou une nouveauté politique ? Je montre que le PT rompt avec les schémas classiques des partis ouvriers : il intègre des courants idéologiques très divers (stalinisme, trotskisme, social-démocratie, christianisme social) et une forte présence de communautés ecclésiales de base. Trois questions guident ma recherche : existe-t-il une relation historique entre christianisme et socialisme ? Comment cette relation s'est-elle manifestée dans le PT ? Ce socialisme avec composante religieuse diffère-t-il des socialismes du XXe siècle ? Ma méthode combine analyse de documents (résolutions de congrès, presse militante) et ma mémoire personnelle, car j'ai été dirigeant de la Convergência Socialista. Je ne traite pas des gouvernements Lula ou Dilma, mais des années fondatrices (1979-1999).




Na introdução, coloco a pergunta central: o que é o PT? Um partido marxista-leninista, social-democrata, trabalhista, ou uma novidade política? Mostro que o PT rompe com os esquemas clássicos dos partidos operários: integra correntes ideológicas muito diversas (stalinismo, trotskismo, social-democracia, cristianismo social) e uma forte presença de comunidades eclesiais de base. Três perguntas orientam minha pesquisa: existe uma relação histórica entre cristianismo e socialismo? Como essa relação se manifestou no PT? Esse socialismo com componente religioso difere dos socialismos do século XX? Meu método combina análise de documentos (resoluções de congressos, imprensa militante) e minha memória pessoal, pois fui dirigente da Convergência Socialista. Não trato dos governos Lula ou Dilma, mas dos anos fundadores (1979-1999).


CHAPITRE 1 – Le Brésil et le socialisme de 1945 à 1980
CAPÍTULO 1 -- Brasil e o socialismo de 1945 a 1980



Dans ce chapitre, je retrace les antécédents du socialisme brésilien. Je prends comme point de départ la IVe thèse de Marx sur Feuerbach : la religion est une projection des contradictions sociales. Mais je montre aussi, avec Gramsci, que le christianisme fut une "nécessité historique" et que le marxisme est héritier de la Réforme et de la Révolution française. Au Brésil, deux partis polarisent la gauche après 1945 : le PCB (stalinien, aligné sur l'URSS) et le PSB (socialisme démocratique, fondé en 1947 par d'anciens membres de l'Esquerda Democrática). Le PSB, avec des figures comme João Mangabeira et Hermes Lima, défend un programme de socialisation graduelle par la voie parlementaire, combinant socialisme et liberté. Il prône la réforme agraire, la démocratisation de la culture, l'autonomie syndicale et une critique du capitalisme d'État soviétique. Malgré son faible poids électoral, le PSB influence des intellectuels et des militants qui, après le coup d'État de 1964, rejoignent les organisations clandestines. Ces idées – socialisme démocratique, rejet du stalinisme, alliance entre socialisme et démocratie – constituent, à mon avis, le terreau idéologique du PT naissant. J'insiste sur le rôle pionnier du PSB dans la formulation d'un socialisme à visage humain, antérieur à l'euromarxisme.


Neste capítulo, traço os antecedentes do socialismo brasileiro. Tomo como ponto de partida a IV tese de Marx sobre Feuerbach: a religião é uma projeção das contradições sociais. Mas mostro também, com Gramsci, que o cristianismo foi uma "necessidade histórica" e que o marxismo é herdeiro da Reforma e da Revolução Francesa. No Brasil, dois partidos polarizam a esquerda após 1945: o PCB (stalinista, alinhado à URSS) e o PSB (socialismo democrático, fundado em 1947 por antigos membros da Esquerda Democrática). O PSB, com figuras como João Mangabeira e Hermes Lima, defende um programa de socialização gradual pela via parlamentar, combinando socialismo e liberdade. Propugna a reforma agrária, a democratização da cultura, a autonomia sindical e uma crítica ao capitalismo de Estado soviético. Apesar de seu baixo peso eleitoral, o PSB influencia intelectuais e militantes que, após o golpe de 1964, aderem a organizações clandestinas. Essas ideias – socialismo democrático, rejeição ao stalinismo, aliança entre socialismo e democracia – constituem, a meu ver, o terreno ideológico do PT nascente. Insisto no papel pioneiro do PSB na formulação de um socialismo de rosto humano, anterior ao euromarxismo.



CHAPITRE 2 – Le trotskisme et la Nouvelle Gauche

CAPÍTULO 2 -- O trotskismo e a Nova Esquerda




Ce chapitre explore les racines trotskistes et de la Nouvelle Gauche dans la formation du PT. J'y raconte comment Trotski oppose à Staline la "révolution permanente" et le Programme de Transition (1938) qui appelle à une direction révolutionnaire mondiale. Mário Pedrosa, principal trotskiste brésilien, diffuse ces idées au sein du PSB puis auprès des jeunes exilés au Chili, parmi lesquels je me trouvais. Le groupe Ponto de Partida (1970) critique la stratégie de guérilla armée et prépare la fondation de la Convergência Socialista (1978), qui milite pour un parti des travailleurs. La Nouvelle Gauche des années 1960, influencée par Marcuse, Reich et Luxemburg, intègre des thématiques culturelles, féministes, écologiques et anti-autoritaires. Au Brésil, elle se manifeste par la Política Operária (Polop) et l'Ação Popular (AP). L'AP, en particulier, est une synthèse originale entre socialisme et catholicisme social, inspirée par Mounier, Maritain et Lebret. Elle rassemble des militants étudiants, des paysans et des ouvriers. Après 1964, ces organisations subissent la répression, mais leurs cadres survivent et, dans les années 1970, ils rejoignent le mouvement syndical du ABC pauliste. D'après mon expérience, le trotskisme a apporté à la future formation du PT l'exigence d'autonomie ouvrière, le rejet du stalinisme et une sensibilité démocratique radicale.



Este capítulo explora as raízes trotskistas e da Nova Esquerda na formação do PT. Conto como Trotski opõe a Stálin a "revolução permanente" e o Programa de Transição (1938) que clama por uma direção revolucionária mundial. Mário Pedrosa, principal trotskista brasileiro, difunde essas ideias no PSB e depois junto aos jovens exilados no Chile, entre os quais eu me encontrava. O grupo Ponto de Partida (1970) critica a estratégia de guerrilha armada e prepara a fundação da Convergência Socialista (1978), que milita por um partido dos trabalhadores. A Nova Esquerda dos anos 1960, influenciada por Marcuse, Reich e Luxemburg, integra temáticas culturais, feministas, ecológicas e anti-autoritárias. No Brasil, manifesta-se pela Política Operária (Polop) e pela Ação Popular (AP). A AP, em particular, é uma síntese original entre socialismo e catolicismo social, inspirada por Mounier, Maritain e Lebret. Ela reúne militantes estudantes, camponeses e operários. Após 1964, essas organizações sofrem a repressão, mas seus quadros sobrevivem e, nos anos 1970, juntam-se ao movimento sindical do ABC paulista. Pela minha experiência, o trotskismo trouxe para a futura formação do PT a exigência de autonomia operária, a rejeição ao stalinismo e uma sensibilidade democrática radical.



CHAPITRE 3 – Les militaires et les racines chrétiennes du PT
CAPÍTULO 3 -- Os militares e as raízes cristãs do PT




Dans ce chapitre, j'analyse le rôle du christianisme social dans la résistance à la dictature militaire (1964-1985) et son apport à la fondation du PT. Je commence par l'évolution de la doctrine sociale de l'Église catholique : de Rerum Novarum (1891) à Quadragesimo Anno (1931) et Divini Redemptoris (1937), puis au Concile Vatican II et à la Conférence de Medellín (1968), qui consacre l'option préférentielle pour les pauvres. Au Brésil, la Théologie de la Libération s'incarne dans les Communautés Ecclésiales de Base (CEB), qui organisent des millions de personnes et deviennent des foyers de résistance contre l'arbitraire. Des évêques comme Dom Adriano Hipólito, Dom Hélder Câmara, Pedro Casaldáliga, appellent à la justice sociale et au soutien aux mouvements populaires. Je souligne que les CEB ont fourni au PT naissant une base sociale massive et un langage éthique de solidarité. En revanche, le protestantisme historique, notamment baptiste, entretient une relation plus ambiguë avec le régime : le "Manifeste des Ministres Baptistes" (1963) défend des réformes progressistes, mais après le coup de 1964, la majorité des églises s'aligne sur l'anticommunisme et la droite militaire, influencée par la Southern Baptist Convention et la Guerre Froide. Cependant, des protestants progressistes comme le pasteur Jaime Wright ou Richard Shaull soutiennent les luttes démocratiques. Je constate que, malgré les divisions, le christianisme social – catholique et protestant – a fourni au PT une grammaire morale et des réseaux d'organisation qui ont été décisifs dans sa formation.



Neste capítulo, analiso o papel do cristianismo social na resistência à ditadura militar (1964-1985) e sua contribuição para a fundação do PT. Começo pela evolução da doutrina social da Igreja Católica: da Rerum Novarum (1891) à Quadragesimo Anno (1931) e Divini Redemptoris (1937), depois ao Concílio Vaticano II e à Conferência de Medellín (1968), que consagra a opção preferencial pelos pobres. No Brasil, a Teologia da Libertação encarna-se nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que organizam milhões de pessoas e se tornam focos de resistência contra o arbítrio. Bispos como Dom Adriano Hipólito, Dom Hélder Câmara, Pedro Casaldáliga, clamam pela justiça social e pelo apoio aos movimentos populares. Sublinho que as CEBs forneceram ao PT nascente uma base social massiva e uma linguagem ética de solidariedade. Em contrapartida, o protestantismo histórico, especialmente batista, mantém uma relação mais ambígua com o regime: o "Manifesto dos Ministros Batistas" (1963) defende reformas progressistas, mas após o golpe de 1964, a maioria das igrejas alinha-se ao anticomunismo e à direita militar, influenciada pela Convenção Batista do Sul e pela Guerra Fria. No entanto, protestantes progressistas como o pastor Jaime Wright ou Richard Shaull apoiam as lutas democráticas. Constato que, apesar das divisões, o cristianismo social – católico e protestante – forneceu ao PT uma gramática moral e redes de organização que foram decisivas em sua formação.



CHAPITRE 4 – Le spectre du rouge
CAPÍTULO 4  -- O espectro do vermelho




Dans ce chapitre central, je raconte la naissance concrète du PT et la diversité du spectre socialiste qui le constitue. Le point de départ est la grève du ABC en mai 1978, qui révèle la puissance du nouveau syndicalisme. La "Thèse de Santo André-Lins" (janvier 1979), présentée au IXe Congrès des Métallurgistes, lance l'idée d'un "parti des travailleurs sans patrons". La "Charte des Principes" (1er mai 1979) définit le PT comme un parti socialiste et démocratique, rejetant à la fois le capitalisme et le socialisme réel. Le parti est officiellement fondé le 10 février 1980, au Colégio Sion à São Paulo, avec des figures comme Lula, Mário Pedrosa, Sérgio Buarque de Holanda. Je décris les principales tendances internes : Articulação (syndicaliste), Democracia Socialista (trotskiste), Convergência Socialista (nouvelle gauche, dont j'étais membre), Força Socialista, etc. Le PT affirme son caractère de classe et son refus du réformisme social-démocrate. Le document "Le Socialisme du PT" (1990) proclame que "le socialisme, pour le PT, ou sera radicalement démocratique, ou ne sera pas socialisme". Cependant, je montre comment, sous la pression électorale et institutionnelle, l'utopie socialiste s'efface progressivement. Le "Programme de la Révolution Démocratique" (1999) substitue à la rupture socialiste un programme de réformes démocratiques, d'État-providence et de développement national, dans une logique d'alliances de classes. Le PT devient alors un parti travailliste pragmatique, puis un parti bourgeois réformiste, abandonnant son horizon socialiste. Je conclus ce chapitre en posant la question : le rêve socialiste est-il définitivement mort ?


Neste capítulo central, narro o nascimento concreto do PT e a diversidade do espectro socialista que o constitui. O ponto de partida é a greve do ABC em maio de 1978, que revela a potência do novo sindicalismo. A "Tese de Santo André-Lins" (janeiro de 1979), apresentada no IX Congresso dos Metalúrgicos, lança a ideia de um "partido dos trabalhadores sem patrões". A "Carta de Princípios" (1º de maio de 1979) define o PT como um partido socialista e democrático, rejeitando tanto o capitalismo quanto o socialismo real. O partido é oficialmente fundado em 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion em São Paulo, com figuras como Lula, Mário Pedrosa, Sérgio Buarque de Holanda. Descrevo as principais tendências internas: Articulação (sindicalista), Democracia Socialista (trotskista), Convergência Socialista (nova esquerda, da qual eu era membro), Força Socialista, etc. O PT afirma seu caráter de classe e sua recusa ao reformismo social-democrata. O documento "O Socialismo Petista" (1990) proclama que "o socialismo, para o PT, ou será radicalmente democrático, ou não será socialismo". No entanto, mostro como, sob a pressão eleitoral e institucional, a utopia socialista esvai-se progressivamente. O "Programa da Revolução Democrática" (1999) substitui à ruptura socialista um programa de reformas democráticas, de Estado de bem-estar e de desenvolvimento nacional, numa lógica de alianças de classes. O PT torna-se então um partido trabalhista pragmático, depois um partido burguês reformista, abandonando seu horizonte socialista. Concluo este capítulo perguntando: o sonho socialista está definitivamente morto?



CHAPITRE 5– Lecture théologique du spectre du rouge
CAPÍTULO 5 -- Leitura teológica do espectro do vermelho




Dans ce dernier chapitre, je propose une interprétation théologique, à partir de Paul Tillich, du parcours du PT. Tillich distingue l'amour (personnel, volontaire, sacrificiel) et le pouvoir (impersonnel, coercitif, institutionnel). La justice est la médiation entre les deux : c'est la forme que doit prendre le pouvoir pour servir l'amour. Or, un parti de travailleurs, même socialiste, ne peut aimer ; il doit administrer la justice par des moyens politiques, ce qui implique l'usage légitime de la force. Le christianisme social a pour mission, selon moi, de rappeler que la misère n'est pas seulement matérielle, mais aussi spirituelle – elle est une négation de la dignité humaine. J'introduis la notion de kairós, le temps de la révolution, de l'irruption du nouveau, qui est l'horizon de l'utopie socialiste. Le PT, en désenchantant son utopie, a perdu le sens du kairós et s'est enfermé dans une routine gestionnaire. La tâche de la foi chrétienne est de critiquer à la fois l'utopie (quand elle devient dogmatique) et le kairós (quand il se sclérose), en rappelant que la justice est une exigence inconditionnelle. Le christianisme social doit être "infrastructurel" – non pas une superstructure justifiant le pouvoir établi, mais un cri issu des exclus, un protestation prophétique. Je conclus que l'avenir du PT et du socialisme au Brésil dépend de la capacité à réintégrer cette dimension spirituelle et éthique, à réconcilier utopie et kairós, à transformer la politique en "exercice d'amour plus grand". Sans cela, le spectre du rouge restera un fantôme sans corps.



Neste último capítulo, proponho uma interpretação teológica, a partir de Paul Tillich, da trajetória do PT. Tillich distingue o amor (pessoal, voluntário, sacrificial) e o poder (impessoal, coercitivo, institucional). A justiça é a mediação entre ambos: é a forma que o poder deve assumir para servir o amor. Ora, um partido de trabalhadores, mesmo socialista, não pode amar; deve administrar a justiça por meios políticos, o que implica o uso legítimo da força. O cristianismo social tem por missão, a meu ver, lembrar que a miséria não é apenas material, mas também espiritual – ela é uma negação da dignidade humana. Introduzo a noção de kairós, o tempo da revolução, da irrupção do novo, que é o horizonte da utopia socialista. O PT, ao desencantar sua utopia, perdeu o sentido do kairós e se encerrou numa rotina gerencial. A tarefa da fé cristã é criticar tanto a utopia (quando se torna dogmática) quanto o kairós (quando se esclerosa), lembrando que a justiça é uma exigência incondicional. O cristianismo social deve ser "infraestrutural" – não uma superestrutura justificando o poder estabelecido, mas um grito vindo dos excluídos, um protesto profético. Concluo que o futuro do PT e do socialismo no Brasil depende da capacidade de reintegrar essa dimensão espiritual e ética, de reconciliar utopia e kairós, de transformar a política em "exercício de amor maior". Sem isso, o espectro do vermelho permanecerá um fantasma sem corpo.



CONSIDÉRATIONS FINALES
CONSIDERAÇÕES FINAIS




Je réaffirme que le christianisme social a joué un rôle essentiel dans la genèse du PT, en fournissant une éthique de solidarité et une vision de justice qui complétaient le projet socialiste démocratique. Mais, en cédant aux pressions de la gouvernabilité et du réalisme politique, le PT a abandonné son utopie, se réduisant à un parti travailliste puis à un parti bourgeois réformiste. Cette perte est, à mon sens, une tragédie pour la gauche brésilienne, car elle a privé les classes populaires d'une représentation transformatrice. Pourtant, le christianisme social conserve sa force critique : il rappelle que la politique doit servir l'humain, que le pouvoir est un moyen et non une fin, et que la justice est toujours à reconquérir. L'espérance réside dans la capacité des mouvements sociaux et des communautés chrétiennes à maintenir vivante la mémoire de l'utopie, à veiller sur le kairós et à refuser que le spectre du rouge s'éteigne. Je termine sur une note d'espérance : le rêve socialiste et chrétien peut renaître, pourvu que des femmes et des hommes continuent à lutter pour une société de liberté, d'égalité et de fraternité. C'est là ma conviction la plus profonde.



Reafirmo que o cristianismo social desempenhou um papel essencial na gênese do PT, fornecendo uma ética de solidariedade e uma visão de justiça que complementavam o projeto socialista democrático. Mas, ao ceder às pressões da governabilidade e do realismo político, o PT abandonou sua utopia, reduzindo-se a um partido trabalhista e depois a um partido burguês reformista. Esta perda é, a meu ver, uma tragédia para a esquerda brasileira, pois privou as classes populares de uma representação transformadora. Contudo, o cristianismo social conserva sua força crítica: recorda que a política deve servir o humano, que o poder é um meio e não um fim, e que a justiça está sempre por reconquistar. A esperança reside na capacidade dos movimentos sociais e das comunidades cristãs de manter viva a memória da utopia, de velar pelo kairós e de recusar que o espectro do vermelho se apague. Termino numa nota de esperança: o sonho socialista e cristão pode renascer, desde que homens e mulheres continuem a lutar por uma sociedade de liberdade, igualdade e fraternidade. Esta é minha convicção mais profunda.


Le Christianisme rouge : Foi et politique dans la fondation du PT -- Jorge Pinheiro dos Santos

Le Christianisme rouge : Foi et politique dans la fondation du PT
Jorge Pinheiro dos Santos




O Cristianismo Vermelho : Fé e política na fundação do PT
Jorge Pinheiro dos Santos




PRÉSENTATION / APRESENTAÇÃO




Dans ce livre, moi, Jorge Pinheiro dos Santos, théologien, journaliste et ancien militant de la Convergência Socialista, j'analyse la fondation du Parti des Travailleurs (PT) brésilien à travers le prisme de la rencontre entre christianisme social et socialismes. J'ai vécu l'exil chilien, la lutte contre la dictature militaire et la naissance du PT. Je mêle ici rigueur académique et témoignage personnel. Je démontre que le PT fut un parti inédit, né des luttes syndicales, des communautés ecclésiales de base et des courants marxistes non orthodoxes. La présentation, signée par le professeur Leonardo Tricot Saldanha, souligne l'actualité de cette analyse face aux crises politiques brésiliennes. Je couvre la période de 1945 à 1999, et je propose une lecture théologique finale sur le sens de l'utopie socialiste.



Neste livro, eu, Jorge Pinheiro dos Santos, teólogo, jornalista e ex-militante da Convergência Socialista, analiso a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) brasileiro através do prisma do encontro entre cristianismo social e socialismos. Vivi o exílio chileno, a luta contra a ditadura militar e o nascimento do PT. Alio aqui rigor acadêmico e testemunho pessoal. Demonstro que o PT foi um partido inédito, nascido das lutas sindicais, das comunidades eclesiais de base e das correntes marxistas não ortodoxas. A apresentação, assinada pelo professor Leonardo Tricot Saldanha, sublinha a atualidade desta análise face às crises políticas brasileiras. Cubro o período de 1945 a 1999, e proponho uma leitura teológica final sobre o sentido da utopia socialista.



INTRODUCTION / INTRODUÇÃO





Dans l'introduction, je pose la question centrale : qu'est-ce que le PT ? Un parti marxiste-léniniste, social-démocrate, travailliste, ou une nouveauté politique ? Je montre que le PT rompt avec les schémas classiques des partis ouvriers : il intègre des courants idéologiques très divers (stalinisme, trotskisme, social-démocratie, christianisme social) et une forte présence de communautés ecclésiales de base. Trois questions guident ma recherche : existe-t-il une relation historique entre christianisme et socialisme ? Comment cette relation s'est-elle manifestée dans le PT ? Ce socialisme avec composante religieuse diffère-t-il des socialismes du XXe siècle ? Ma méthode combine analyse de documents (résolutions de congrès, presse militante) et ma mémoire personnelle, car j'ai été dirigeant de la Convergência Socialista. Je ne traite pas des gouvernements Lula ou Dilma, mais des années fondatrices (1979-1999).




Na introdução, coloco a pergunta central: o que é o PT? Um partido marxista-leninista, social-democrata, trabalhista, ou uma novidade política? Mostro que o PT rompe com os esquemas clássicos dos partidos operários: integra correntes ideológicas muito diversas (stalinismo, trotskismo, social-democracia, cristianismo social) e uma forte presença de comunidades eclesiais de base. Três perguntas orientam minha pesquisa: existe uma relação histórica entre cristianismo e socialismo? Como essa relação se manifestou no PT? Esse socialismo com componente religioso difere dos socialismos do século XX? Meu método combina análise de documentos (resoluções de congressos, imprensa militante) e minha memória pessoal, pois fui dirigente da Convergência Socialista. Não trato dos governos Lula ou Dilma, mas dos anos fundadores (1979-1999).


CHAPITRE 1 – Le Brésil et le socialisme de 1945 à 1980
CAPÍTULO 1 -- Brasil e o socialismo de 1945 a 1980



Dans ce chapitre, je retrace les antécédents du socialisme brésilien. Je prends comme point de départ la IVe thèse de Marx sur Feuerbach : la religion est une projection des contradictions sociales. Mais je montre aussi, avec Gramsci, que le christianisme fut une "nécessité historique" et que le marxisme est héritier de la Réforme et de la Révolution française. Au Brésil, deux partis polarisent la gauche après 1945 : le PCB (stalinien, aligné sur l'URSS) et le PSB (socialisme démocratique, fondé en 1947 par d'anciens membres de l'Esquerda Democrática). Le PSB, avec des figures comme João Mangabeira et Hermes Lima, défend un programme de socialisation graduelle par la voie parlementaire, combinant socialisme et liberté. Il prône la réforme agraire, la démocratisation de la culture, l'autonomie syndicale et une critique du capitalisme d'État soviétique. Malgré son faible poids électoral, le PSB influence des intellectuels et des militants qui, après le coup d'État de 1964, rejoignent les organisations clandestines. Ces idées – socialisme démocratique, rejet du stalinisme, alliance entre socialisme et démocratie – constituent, à mon avis, le terreau idéologique du PT naissant. J'insiste sur le rôle pionnier du PSB dans la formulation d'un socialisme à visage humain, antérieur à l'euromarxisme.


Neste capítulo, traço os antecedentes do socialismo brasileiro. Tomo como ponto de partida a IV tese de Marx sobre Feuerbach: a religião é uma projeção das contradições sociais. Mas mostro também, com Gramsci, que o cristianismo foi uma "necessidade histórica" e que o marxismo é herdeiro da Reforma e da Revolução Francesa. No Brasil, dois partidos polarizam a esquerda após 1945: o PCB (stalinista, alinhado à URSS) e o PSB (socialismo democrático, fundado em 1947 por antigos membros da Esquerda Democrática). O PSB, com figuras como João Mangabeira e Hermes Lima, defende um programa de socialização gradual pela via parlamentar, combinando socialismo e liberdade. Propugna a reforma agrária, a democratização da cultura, a autonomia sindical e uma crítica ao capitalismo de Estado soviético. Apesar de seu baixo peso eleitoral, o PSB influencia intelectuais e militantes que, após o golpe de 1964, aderem a organizações clandestinas. Essas ideias – socialismo democrático, rejeição ao stalinismo, aliança entre socialismo e democracia – constituem, a meu ver, o terreno ideológico do PT nascente. Insisto no papel pioneiro do PSB na formulação de um socialismo de rosto humano, anterior ao euromarxismo.



CHAPITRE 2 – Le trotskisme et la Nouvelle Gauche

CAPÍTULO 2 -- O trotskismo e a Nova Esquerda




Ce chapitre explore les racines trotskistes et de la Nouvelle Gauche dans la formation du PT. J'y raconte comment Trotski oppose à Staline la "révolution permanente" et le Programme de Transition (1938) qui appelle à une direction révolutionnaire mondiale. Mário Pedrosa, principal trotskiste brésilien, diffuse ces idées au sein du PSB puis auprès des jeunes exilés au Chili, parmi lesquels je me trouvais. Le groupe Ponto de Partida (1970) critique la stratégie de guérilla armée et prépare la fondation de la Convergência Socialista (1978), qui milite pour un parti des travailleurs. La Nouvelle Gauche des années 1960, influencée par Marcuse, Reich et Luxemburg, intègre des thématiques culturelles, féministes, écologiques et anti-autoritaires. Au Brésil, elle se manifeste par la Política Operária (Polop) et l'Ação Popular (AP). L'AP, en particulier, est une synthèse originale entre socialisme et catholicisme social, inspirée par Mounier, Maritain et Lebret. Elle rassemble des militants étudiants, des paysans et des ouvriers. Après 1964, ces organisations subissent la répression, mais leurs cadres survivent et, dans les années 1970, ils rejoignent le mouvement syndical du ABC pauliste. D'après mon expérience, le trotskisme a apporté à la future formation du PT l'exigence d'autonomie ouvrière, le rejet du stalinisme et une sensibilité démocratique radicale.



Este capítulo explora as raízes trotskistas e da Nova Esquerda na formação do PT. Conto como Trotski opõe a Stálin a "revolução permanente" e o Programa de Transição (1938) que clama por uma direção revolucionária mundial. Mário Pedrosa, principal trotskista brasileiro, difunde essas ideias no PSB e depois junto aos jovens exilados no Chile, entre os quais eu me encontrava. O grupo Ponto de Partida (1970) critica a estratégia de guerrilha armada e prepara a fundação da Convergência Socialista (1978), que milita por um partido dos trabalhadores. A Nova Esquerda dos anos 1960, influenciada por Marcuse, Reich e Luxemburg, integra temáticas culturais, feministas, ecológicas e anti-autoritárias. No Brasil, manifesta-se pela Política Operária (Polop) e pela Ação Popular (AP). A AP, em particular, é uma síntese original entre socialismo e catolicismo social, inspirada por Mounier, Maritain e Lebret. Ela reúne militantes estudantes, camponeses e operários. Após 1964, essas organizações sofrem a repressão, mas seus quadros sobrevivem e, nos anos 1970, juntam-se ao movimento sindical do ABC paulista. Pela minha experiência, o trotskismo trouxe para a futura formação do PT a exigência de autonomia operária, a rejeição ao stalinismo e uma sensibilidade democrática radical.



CHAPITRE 3 – Les militaires et les racines chrétiennes du PT
CAPÍTULO 3 -- Os militares e as raízes cristãs do PT




Dans ce chapitre, j'analyse le rôle du christianisme social dans la résistance à la dictature militaire (1964-1985) et son apport à la fondation du PT. Je commence par l'évolution de la doctrine sociale de l'Église catholique : de Rerum Novarum (1891) à Quadragesimo Anno (1931) et Divini Redemptoris (1937), puis au Concile Vatican II et à la Conférence de Medellín (1968), qui consacre l'option préférentielle pour les pauvres. Au Brésil, la Théologie de la Libération s'incarne dans les Communautés Ecclésiales de Base (CEB), qui organisent des millions de personnes et deviennent des foyers de résistance contre l'arbitraire. Des évêques comme Dom Adriano Hipólito, Dom Hélder Câmara, Pedro Casaldáliga, appellent à la justice sociale et au soutien aux mouvements populaires. Je souligne que les CEB ont fourni au PT naissant une base sociale massive et un langage éthique de solidarité. En revanche, le protestantisme historique, notamment baptiste, entretient une relation plus ambiguë avec le régime : le "Manifeste des Ministres Baptistes" (1963) défend des réformes progressistes, mais après le coup de 1964, la majorité des églises s'aligne sur l'anticommunisme et la droite militaire, influencée par la Southern Baptist Convention et la Guerre Froide. Cependant, des protestants progressistes comme le pasteur Jaime Wright ou Richard Shaull soutiennent les luttes démocratiques. Je constate que, malgré les divisions, le christianisme social – catholique et protestant – a fourni au PT une grammaire morale et des réseaux d'organisation qui ont été décisifs dans sa formation.



Neste capítulo, analiso o papel do cristianismo social na resistência à ditadura militar (1964-1985) e sua contribuição para a fundação do PT. Começo pela evolução da doutrina social da Igreja Católica: da Rerum Novarum (1891) à Quadragesimo Anno (1931) e Divini Redemptoris (1937), depois ao Concílio Vaticano II e à Conferência de Medellín (1968), que consagra a opção preferencial pelos pobres. No Brasil, a Teologia da Libertação encarna-se nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que organizam milhões de pessoas e se tornam focos de resistência contra o arbítrio. Bispos como Dom Adriano Hipólito, Dom Hélder Câmara, Pedro Casaldáliga, clamam pela justiça social e pelo apoio aos movimentos populares. Sublinho que as CEBs forneceram ao PT nascente uma base social massiva e uma linguagem ética de solidariedade. Em contrapartida, o protestantismo histórico, especialmente batista, mantém uma relação mais ambígua com o regime: o "Manifesto dos Ministros Batistas" (1963) defende reformas progressistas, mas após o golpe de 1964, a maioria das igrejas alinha-se ao anticomunismo e à direita militar, influenciada pela Convenção Batista do Sul e pela Guerra Fria. No entanto, protestantes progressistas como o pastor Jaime Wright ou Richard Shaull apoiam as lutas democráticas. Constato que, apesar das divisões, o cristianismo social – católico e protestante – forneceu ao PT uma gramática moral e redes de organização que foram decisivas em sua formação.



CHAPITRE 4 – Le spectre du rouge
CAPÍTULO 4  -- O espectro do vermelho




Dans ce chapitre central, je raconte la naissance concrète du PT et la diversité du spectre socialiste qui le constitue. Le point de départ est la grève du ABC en mai 1978, qui révèle la puissance du nouveau syndicalisme. La "Thèse de Santo André-Lins" (janvier 1979), présentée au IXe Congrès des Métallurgistes, lance l'idée d'un "parti des travailleurs sans patrons". La "Charte des Principes" (1er mai 1979) définit le PT comme un parti socialiste et démocratique, rejetant à la fois le capitalisme et le socialisme réel. Le parti est officiellement fondé le 10 février 1980, au Colégio Sion à São Paulo, avec des figures comme Lula, Mário Pedrosa, Sérgio Buarque de Holanda. Je décris les principales tendances internes : Articulação (syndicaliste), Democracia Socialista (trotskiste), Convergência Socialista (nouvelle gauche, dont j'étais membre), Força Socialista, etc. Le PT affirme son caractère de classe et son refus du réformisme social-démocrate. Le document "Le Socialisme du PT" (1990) proclame que "le socialisme, pour le PT, ou sera radicalement démocratique, ou ne sera pas socialisme". Cependant, je montre comment, sous la pression électorale et institutionnelle, l'utopie socialiste s'efface progressivement. Le "Programme de la Révolution Démocratique" (1999) substitue à la rupture socialiste un programme de réformes démocratiques, d'État-providence et de développement national, dans une logique d'alliances de classes. Le PT devient alors un parti travailliste pragmatique, puis un parti bourgeois réformiste, abandonnant son horizon socialiste. Je conclus ce chapitre en posant la question : le rêve socialiste est-il définitivement mort ?


Neste capítulo central, narro o nascimento concreto do PT e a diversidade do espectro socialista que o constitui. O ponto de partida é a greve do ABC em maio de 1978, que revela a potência do novo sindicalismo. A "Tese de Santo André-Lins" (janeiro de 1979), apresentada no IX Congresso dos Metalúrgicos, lança a ideia de um "partido dos trabalhadores sem patrões". A "Carta de Princípios" (1º de maio de 1979) define o PT como um partido socialista e democrático, rejeitando tanto o capitalismo quanto o socialismo real. O partido é oficialmente fundado em 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion em São Paulo, com figuras como Lula, Mário Pedrosa, Sérgio Buarque de Holanda. Descrevo as principais tendências internas: Articulação (sindicalista), Democracia Socialista (trotskista), Convergência Socialista (nova esquerda, da qual eu era membro), Força Socialista, etc. O PT afirma seu caráter de classe e sua recusa ao reformismo social-democrata. O documento "O Socialismo Petista" (1990) proclama que "o socialismo, para o PT, ou será radicalmente democrático, ou não será socialismo". No entanto, mostro como, sob a pressão eleitoral e institucional, a utopia socialista esvai-se progressivamente. O "Programa da Revolução Democrática" (1999) substitui à ruptura socialista um programa de reformas democráticas, de Estado de bem-estar e de desenvolvimento nacional, numa lógica de alianças de classes. O PT torna-se então um partido trabalhista pragmático, depois um partido burguês reformista, abandonando seu horizonte socialista. Concluo este capítulo perguntando: o sonho socialista está definitivamente morto?



CHAPITRE 5– Lecture théologique du spectre du rouge
CAPÍTULO 5 -- Leitura teológica do espectro do vermelho




Dans ce dernier chapitre, je propose une interprétation théologique, à partir de Paul Tillich, du parcours du PT. Tillich distingue l'amour (personnel, volontaire, sacrificiel) et le pouvoir (impersonnel, coercitif, institutionnel). La justice est la médiation entre les deux : c'est la forme que doit prendre le pouvoir pour servir l'amour. Or, un parti de travailleurs, même socialiste, ne peut aimer ; il doit administrer la justice par des moyens politiques, ce qui implique l'usage légitime de la force. Le christianisme social a pour mission, selon moi, de rappeler que la misère n'est pas seulement matérielle, mais aussi spirituelle – elle est une négation de la dignité humaine. J'introduis la notion de kairós, le temps de la révolution, de l'irruption du nouveau, qui est l'horizon de l'utopie socialiste. Le PT, en désenchantant son utopie, a perdu le sens du kairós et s'est enfermé dans une routine gestionnaire. La tâche de la foi chrétienne est de critiquer à la fois l'utopie (quand elle devient dogmatique) et le kairós (quand il se sclérose), en rappelant que la justice est une exigence inconditionnelle. Le christianisme social doit être "infrastructurel" – non pas une superstructure justifiant le pouvoir établi, mais un cri issu des exclus, un protestation prophétique. Je conclus que l'avenir du PT et du socialisme au Brésil dépend de la capacité à réintégrer cette dimension spirituelle et éthique, à réconcilier utopie et kairós, à transformer la politique en "exercice d'amour plus grand". Sans cela, le spectre du rouge restera un fantôme sans corps.



Neste último capítulo, proponho uma interpretação teológica, a partir de Paul Tillich, da trajetória do PT. Tillich distingue o amor (pessoal, voluntário, sacrificial) e o poder (impessoal, coercitivo, institucional). A justiça é a mediação entre ambos: é a forma que o poder deve assumir para servir o amor. Ora, um partido de trabalhadores, mesmo socialista, não pode amar; deve administrar a justiça por meios políticos, o que implica o uso legítimo da força. O cristianismo social tem por missão, a meu ver, lembrar que a miséria não é apenas material, mas também espiritual – ela é uma negação da dignidade humana. Introduzo a noção de kairós, o tempo da revolução, da irrupção do novo, que é o horizonte da utopia socialista. O PT, ao desencantar sua utopia, perdeu o sentido do kairós e se encerrou numa rotina gerencial. A tarefa da fé cristã é criticar tanto a utopia (quando se torna dogmática) quanto o kairós (quando se esclerosa), lembrando que a justiça é uma exigência incondicional. O cristianismo social deve ser "infraestrutural" – não uma superestrutura justificando o poder estabelecido, mas um grito vindo dos excluídos, um protesto profético. Concluo que o futuro do PT e do socialismo no Brasil depende da capacidade de reintegrar essa dimensão espiritual e ética, de reconciliar utopia e kairós, de transformar a política em "exercício de amor maior". Sem isso, o espectro do vermelho permanecerá um fantasma sem corpo.



CONSIDÉRATIONS FINALES
CONSIDERAÇÕES FINAIS




Je réaffirme que le christianisme social a joué un rôle essentiel dans la genèse du PT, en fournissant une éthique de solidarité et une vision de justice qui complétaient le projet socialiste démocratique. Mais, en cédant aux pressions de la gouvernabilité et du réalisme politique, le PT a abandonné son utopie, se réduisant à un parti travailliste puis à un parti bourgeois réformiste. Cette perte est, à mon sens, une tragédie pour la gauche brésilienne, car elle a privé les classes populaires d'une représentation transformatrice. Pourtant, le christianisme social conserve sa force critique : il rappelle que la politique doit servir l'humain, que le pouvoir est un moyen et non une fin, et que la justice est toujours à reconquérir. L'espérance réside dans la capacité des mouvements sociaux et des communautés chrétiennes à maintenir vivante la mémoire de l'utopie, à veiller sur le kairós et à refuser que le spectre du rouge s'éteigne. Je termine sur une note d'espérance : le rêve socialiste et chrétien peut renaître, pourvu que des femmes et des hommes continuent à lutter pour une société de liberté, d'égalité et de fraternité. C'est là ma conviction la plus profonde.



Reafirmo que o cristianismo social desempenhou um papel essencial na gênese do PT, fornecendo uma ética de solidariedade e uma visão de justiça que complementavam o projeto socialista democrático. Mas, ao ceder às pressões da governabilidade e do realismo político, o PT abandonou sua utopia, reduzindo-se a um partido trabalhista e depois a um partido burguês reformista. Esta perda é, a meu ver, uma tragédia para a esquerda brasileira, pois privou as classes populares de uma representação transformadora. Contudo, o cristianismo social conserva sua força crítica: recorda que a política deve servir o humano, que o poder é um meio e não um fim, e que a justiça está sempre por reconquistar. A esperança reside na capacidade dos movimentos sociais e das comunidades cristãs de manter viva a memória da utopia, de velar pelo kairós e de recusar que o espectro do vermelho se apague. Termino numa nota de esperança: o sonho socialista e cristão pode renascer, desde que homens e mulheres continuem a lutar por uma sociedade de liberdade, igualdade e fraternidade. Esta é minha convicção mais profunda.



O Cristianismo vermelho

O Cristianismo Vermelho: Fé e Política na Fundação do PT




Jorge Pinheiro dos Santos






APRESENTAÇÃO 




"O Espectro do Vermelho" analisa a relação entre cristianismo e política na fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) brasileiro. O autor, Jorge Pinheiro dos Santos, teólogo, jornalista e ex-militante da Convergência Socialista, testemunhou diretamente o processo de formação do partido no final dos anos 1970. A obra combina rigor acadêmico com memória pessoal, explorando como o cristianismo social e diversas correntes socialistas convergiram para criar um partido operário inovador. O livro cobre o período de 1945 a 1999, com ênfase nos anos 1970-1980, e propõe uma leitura teológica do socialismo petista. A apresentação, escrita pelo professor Leonardo Tricot Saldanha, destaca a importância histórica e política do tema, especialmente no contexto das crises brasileiras contemporâneas. 



INTRODUÇÃO 




O Cristianismo vermelho livro investiga o fenômeno do Partido dos Trabalhadores como algo novo na história brasileira: um partido operário de massas com forte presença cristã. Diferentemente de tentativas anteriores (PCB, PTB, PSB), o PT conseguiu nuclear setores sindicais e trabalhadores fabris em todo o país. A pergunta central é: que partido é esse? Marxista-leninista? Social-democrata? O autor argumenta que o PT rompeu com os padrões clássicos ao incorporar praticamente todas as correntes ideológicas do socialismo — do stalinismo ao trotskismo, passando por social-democratas — além de uma presença cristã significativa, principalmente através das Comunidades Eclesiais de Base. O Cristianismo vermelho cobre os primeiros anos do PT (1979-1999) e não analisa os governos Lula ou Dilma. A abordagem combina análise histórica de documentos, resoluções de encontros e congressos, com memórias pessoais do autor, que participou da direção da Convergência Socialista. Três questões orientam a pesquisa: existe uma relação histórica entre cristianismo e socialismo? Como essa relação se deu na formação do PT? Esse socialismo com componentes religiosos difere do socialismo dos partidos comunistas do século XX? 





CAPÍTULO 1 
O Brasil e o socialismo de 1945 a 1980 




O capítulo analisa o pensamento socialista brasileiro no período de redemocratização após o Estado Novo. A partir da quarta tese de Marx sobre Feuerbach, discute-se a relação entre religião e sociedade. Marx argumenta que a religião reflete contradições sociais — o ser humano projeta no paraíso aquilo que lhe falta na terra. Gramsci, posteriormente, reinterpreta essa visão, afirmando que o cristianismo foi uma "necessidade histórica" e que o marxismo é herdeiro da Reforma Protestante e da Revolução Francesa. No Brasil, dois partidos polarizaram a esquerda pós-1945: o PCB (stalinista) e o PSB (socialismo democrático). O PSB, fundado em 1947 por dissidentes da Esquerda Democrática, defendia um "socialismo democrático" em oposição ao comunismo stalinista. Seus líderes, como João Mangabeira e Hermes Lima, propunham a socialização gradual dos meios de produção via parlamento, combinando socialismo e liberdade. O programa do PSB incluía reforma agrária, democratização da cultura e saúde pública, e autonomia sindical. Apesar de sua limitada expressão eleitoral, o PSB influenciou intelectuais e militantes que, após o golpe de 1964, migraram para organizações clandestinas. O capítulo mostra como essas ideias — socialismo democrático, rejeição ao stalinismo, combinação entre socialismo e democracia — foram sementes que germinariam no PT décadas depois. 



CAPÍTULO 2 
O trotskismo e a Nova Esquerda 




O capítulo traça as raízes do trotskismo brasileiro, desde a oposição de León Trotski a Stálin até sua influência na formação do PT. Trotski defendia a "revolução permanente" e criticava o "socialismo em um só país". Seu Programa de Transição (1938) argumentava que as premissas objetivas para a revolução proletária estavam maduras, mas faltava a direção revolucionária. Mário Pedrosa, principal líder trotskista brasileiro, difundiu essas ideias no PSB e influenciou gerações de militantes. O capítulo descreve a trajetória do Grupo Ponto de Partida, que evoluiu para a Liga Operária e depois para a Convergência Socialista — organização da qual o autor fez parte. A Nova Esquerda dos anos 1960, influenciada por Herbert Marcuse, Wilhelm Reich e Rosa Luxemburg, trouxe novas leituras do marxismo, incorporando questões de gênero, sexualidade, ecologia e crítica cultural. No Brasil, a Nova Esquerda se expressou através da Política Operária (Polop) e da Ação Popular (AP). A AP era particularmente interessante por sua síntese entre socialismo e catolicismo social, inspirada em Emmanuel Mounier e Jacques Maritain. Essas organizações, apesar de suas diferenças, compartilhavam a crítica ao stalinismo e a busca por um socialismo democrático e humanista. O capítulo mostra como essas correntes — trotskistas, nova esquerda, cristãos sociais — convergiram no final dos anos 1970 para construir o PT. 



CAPÍTULO 3 
Os militares e as raízes cristãs do PT 




O capítulo analisa a relação entre o cristianismo social e o regime militar brasileiro (1964-1985). Começa com a evolução da doutrina social da Igreja Católica: desde a encíclica Rerum Novarum (1891) de Leão XIII, passando pela Quadragesimo Anno (1931) e Divini Redemptoris (1937), até o Concílio Vaticano II (1962-1965) e a Conferência de Medellín (1968). Esses documentos estabeleceram os princípios da dignidade humana, solidariedade e opção preferencial pelos pobres — bases da Teologia da Libertação. No Brasil, essa teologia se expressou através das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que organizaram milhões de pessoas na luta contra a ditadura. D. Adriano Hipólito, bispo de Nova Iguaçu, afirmou que as CEBs identificavam o "pecado-raiz" do capitalismo e que a Igreja deveria apoiar a criação de um partido trabalhista. Paralelamente, o protestantismo histórico brasileiro — especialmente os batistas — manteve uma relação ambígua com o regime. Embora o "Manifesto dos Ministros Batistas" (1963) tenha defendido reformas de base, após o golpe de 1964 a maioria da denominação alinhou-se ao governo militar, influenciada pelo anticomunismo da Guerra Fria e pela tradição conservadora da Convenção Batista do Sul dos EUA. O capítulo mostra como, apesar disso, setores cristãos progressistas foram fundamentais na resistência à ditadura e na construção do PT. 





CAPÍTULO 4 
O espectro do vermelho 




O capítulo analisa a fundação do PT e o espectro socialista que o animou. O processo começou com a "Tese de Santo André-Lins" (janeiro de 1979), aprovada no IX Congresso dos Metalúrgicos, que propôs a criação de um "partido dos trabalhadores sem patrões". A "Carta de Princípios" (1º de maio de 1979) definiu o PT como socialista e democrático. O partido foi oficialmente fundado em 10 de fevereiro de 1980, reunindo sindicalistas, intelectuais, cristãos sociais e militantes da nova esquerda. O capítulo descreve as diversas correntes internas: Democracia Radical, Articulação, Democracia Socialista, Convergência Socialista, entre outras. O PT se definiu como um partido "pós-comunista e pós-socialdemocrata", rejeitando tanto o socialismo real soviético quanto o reformismo social-democrata. O documento "O Socialismo Petista" (1990) afirmou que "o socialismo, para o PT, ou será radicalmente democrático, ou não será socialismo". No entanto, o capítulo mostra como a utopia socialista foi gradualmente "desencantada". O "Programa da Revolução Democrática" (1999) substituiu o horizonte socialista por reformas democrático-burguesas. O autor argumenta que o PT, inicialmente um partido de classe com projeto socialista, tornou-se um partido trabalhista pragmático, e depois um partido burguês reformista, abandonando a utopia socialista em nome da governabilidade. O capítulo termina com a pergunta: o sonho acabou? 



CAPÍTULO 5 
Leitura teológica do espectro do vermelho 




O capítulo final propõe uma leitura teológica da experiência do PT, utilizando o pensamento de Paul Tillich. O autor argumenta que a política e a religião não são excludentes — ambas lidam com questões de poder, justiça e sentido. Tillich distingue entre amor (voluntário, pessoal, sacrificial) e poder (coercitivo, impessoal, institucional). A justiça é a ponte entre eles: é a forma como o poder deve ser exercido para servir o amor. O cristianismo social, com sua ênfase na opção preferencial pelos pobres e na dignidade humana, tem um papel crítico a desempenhar dentro de um partido de trabalhadores: deve lembrar que a miséria não é apenas econômica, mas humana. O capítulo introduz o conceito de "kairós" — o tempo da revolução, da irrupção do novo. A utopia socialista é a espera/esperança do kairós. O autor argumenta que o PT, ao desencantar sua utopia, perdeu o sentido do kairós e se tornou refém do princípio burguês. A tarefa do cristianismo social é criticar tanto a utopia quanto o kairós, lembrando que a justiça é incondicional e que a fé cristã deve ser "infraestrutural" — não como superestrutura legitimadora do poder, mas como clamor dos excluídos. O capítulo conclui que o êxito do processo depende da integração entre teoria e práxis, e que o cristianismo social deve estimular os cristãos a se engajarem na política como "exercício de amor maior". 





CONSIDERAÇÕES FINAIS 




O livro conclui que o cristianismo social foi fundamental na formação do PT, oferecendo uma visão ética e utópica que complementava o socialismo democrático. A presença cristã no PT trouxe uma dimensão de solidariedade e justiça que ia além do materialismo histórico. No entanto, com o passar dos anos, o PT abandonou gradualmente sua utopia socialista, tornando-se um partido trabalhista pragmático e depois reformista. O autor argumenta que esse desencantamento da utopia é uma tragédia não apenas para o PT, mas para a política brasileira como um todo, pois deixou a classe trabalhadora sem uma representação política verdadeiramente transformadora. O cristianismo social, no entanto, continua sendo uma força crítica, lembrando que a política deve servir à justiça e à dignidade humana. O livro termina com um chamado à esperança: apesar das derrotas e do pragmatismo, o kairós — o tempo da revolução — pode sempre irromper novamente, desde que haja pessoas dispostas a manter viva a utopia socialista e cristã. 





Le Christianisme rouge



Le Christianisme rouge: foi et politique dans la fondation du PT (Parti des travailleurs) 




PRÉSENTATION 




"Le Spectre du Rouge" analyse la relation entre christianisme et politique dans la fondation du Parti des Travailleurs (PT) brésilien. L'auteur, Jorge Pinheiro dos Santos, théologien, journaliste et ancien militant de la Convergência Socialista, a directement témoigné du processus de formation du parti à la fin des années 1970. L'œuvre combine rigueur académique et mémoire personnelle, explorant comment le christianisme social et divers courants socialistes ont convergé pour créer un parti ouvrier innovant. Le livre couvre la période de 1945 à 1999, avec un accent sur les années 1970-1980, et propose une lecture théologique du socialisme du PT. La présentation, écrite par le professeur Leonardo Tricot Saldanha, souligne l'importance historique et politique du sujet, particulièrement dans le contexte des crises brésiliennes contemporaines. 



INTRODUCTION 




Le Christianisme rouge livre enquête sur le phénomène du Parti des Travailleurs comme quelque chose de nouveau dans l'histoire brésilienne : un parti ouvrier de masse avec une forte présence chrétienne. Contrairement aux tentatives antérieures (PCB, PTB, PSB), le PT a réussi à fédérer des secteurs syndicaux et des travailleurs d'usine dans tout le pays. La question centrale est : quel est ce parti ? Marxiste-léniniste ? Social-démocrate ? L'auteur soutient que le PT a rompu avec les schémas classiques en incorporant pratiquement tous les courants idéologiques du socialisme — du stalinisme au trotskisme, en passant par les sociaux-démocrates — ainsi qu'une présence chrétienne significative, principalement à travers les Communautés Ecclésiales de Base. Le livre couvre les premières années du PT (1979-1999) et n'analyse pas les gouvernements Lula ou Dilma. L'approche combine l'analyse historique de documents, de résolutions de rencontres et de congrès, avec des mémoires personnelles de l'auteur, qui a participé à la direction de la Convergência Socialista. Trois questions guident la recherche : existe-t-il une relation historique entre christianisme et socialisme ? Comment cette relation s'est-elle manifestée dans la formation du PT ? Ce socialisme à composantes religieuses diffère-t-il du socialisme des partis communistes du XXe siècle ? 





CHAPITRE 1 

Le Brésil et le socialisme de 1945 à 1980 




Le chapitre analyse la pensée socialiste brésilienne dans la période de redémocratisation après l'Estado Novo. À partir de la quatrième thèse de Marx sur Feuerbach, on discute de la relation entre religion et société. Marx soutient que la religion reflète les contradictions sociales — l'être humain projette au paradis ce qui lui manque sur terre. Gramsci réinterprète cette vision, affirmant que le christianisme fut un "besoin historique" et que le marxisme est héritier de la Réforme protestante et de la Révolution française. Au Brésil, deux partis ont polarisé la gauche après 1945 : le PCB (stalinien) et le PSB (socialisme démocratique). Le PSB, fondé en 1947 par des dissidents de la Gauche Démocratique, défendait un "socialisme démocratique" en opposition au communisme stalinien. Ses dirigeants, comme João Mangabeira et Hermes Lima, proposaient la socialisation progressive des moyens de production via le parlement, combinant socialisme et liberté. Le programme du PSB incluait la réforme agraire, la démocratisation de la culture et de la santé publique, et l'autonomie syndicale. Malgré sa faible expression électorale, le PSB a influencé des intellectuels et militants qui, après le coup d'État de 1964, ont migré vers des organisations clandestines. Le chapitre montre comment ces idées — socialisme démocratique, rejet du stalinisme, combinaison entre socialisme et démocratie — furent des semences qui germeraient dans le PT des décennies plus tard. 





CHAPITRE 2 

Le trotskisme et la Nouvelle Gauche 




Le chapitre retrace les racines du trotskisme brésilien, depuis l'opposition de Léon Trotski à Staline jusqu'à son influence dans la formation du PT. Trotski défendait la "révolution permanente" et critiquait le "socialisme dans un seul pays". Son Programme de Transition (1938) soutenait que les prémisses objectives de la révolution prolétarienne étaient mûres, mais qu'il manquait une direction révolutionnaire. Mário Pedrosa, principal dirigeant trotskiste brésilien, diffusa ces idées au PSB et influença des générations de militants. Le chapitre décrit la trajectoire du Groupe Ponto de Partida, qui évolua vers la Liga Operária puis la Convergência Socialista — organisation dont l'auteur fit partie. La Nouvelle Gauche des années 1960, influencée par Herbert Marcuse, Wilhelm Reich et Rosa Luxemburg, apporta de nouvelles lectures du marxisme, intégrant des questions de genre, sexualité, écologie et critique culturelle. Au Brésil, la Nouvelle Gauche s'exprima à travers la Política Operária (Polop) et l'Ação Popular (AP). L'AP était particulièrement intéressante par sa synthèse entre socialisme et catholicisme social, inspirée d'Emmanuel Mounier et Jacques Maritain. Ces organisations, malgré leurs différences, partageaient la critique du stalinisme et la recherche d'un socialisme démocratique et humaniste. Le chapitre montre comment ces courants — trotskistes, nouvelle gauche, chrétiens sociaux — convergèrent à la fin des années 1970 pour construire le PT. 







CHAPITRE 3 

Les militaires et les racines chrétiennes du PT 




Le chapitre analyse la relation entre le christianisme social et le régime militaire brésilien (1964-1985). Il commence par l'évolution de la doctrine sociale de l'Église catholique : depuis l'encyclique Rerum Novarum (1891) de Léon XIII, en passant par Quadragesimo Anno (1931) et Divini Redemptoris (1937), jusqu'au Concile Vatican II (1962-1965) et la Conférence de Medellín (1968). Ces documents établirent les principes de dignité humaine, solidarité et option préférentielle pour les pauvres — bases de la Théologie de la Libération. Au Brésil, cette théologie s'exprima à travers les Communautés Ecclésiales de Base (CEBs), qui organisèrent des millions de personnes dans la lutte contre la dictature. Dom Adriano Hipólito, évêque de Nova Iguaçu, affirma que les CEBs identifiaient le "péché-racine" du capitalisme et que l'Église devait soutenir la création d'un parti travailliste. Parallèlement, le protestantisme historique brésilien — particulièrement les baptistes — entretint une relation ambiguë avec le régime. Bien que le "Manifeste des Ministres Baptistes" (1963) ait défendu des réformes de base, après le coup d'État de 1964 la majorité de la dénomination s'aligna sur le gouvernement militaire, influencée par l'anticommunisme de la Guerre Froide et la tradition conservatrice de la Convention Baptiste du Sud des États-Unis. Le chapitre montre comment, malgré cela, des secteurs chrétiens progressistes furent fondamentaux dans la résistance à la dictature et la construction du PT. 









CHAPITRE 4 

Le spectre du rouge 





Le chapitre analyse la fondation du PT et le spectre socialiste qui l'anima. Le processus commença par la "Thèse de Santo André-Lins" (janvier 1979), approuvée au IXe Congrès des Métallurgistes, qui proposa la création d'un "parti des travailleurs sans patrons". La "Charte des Principes" (1er mai 1979) définit le PT comme socialiste et démocratique. Le parti fut officiellement fondé le 10 février 1980, rassemblant syndicalistes, intellectuels, chrétiens sociaux et militants de la nouvelle gauche. Le chapitre décrit les divers courants internes : Démocratie Radicale, Articulation, Démocratie Socialiste, Convergência Socialista, entre autres. Le PT se définit comme un parti "post-communiste et post-social-démocrate", rejetant tant le socialisme réel soviétique que le réformisme social-démocrate. Le document "Le Socialisme du PT" (1990) affirma que "le socialisme, pour le PT, ou sera radicalement démocratique, ou ne sera pas socialisme". Cependant, le chapitre montre comment l'utopie socialiste fut progressivement "désenchantée". Le "Programme de la Révolution Démocratique" (1999) substitua à l'horizon socialiste des réformes démocratico-bourgeoises. L'auteur soutient que le PT, initialement un parti de classe avec un projet socialiste, devint un parti travailliste pragmatique, puis un parti bourgeois réformiste, abandonnant l'utopie socialiste au nom de la gouvernabilité. Le chapitre se termine par la question : le rêve est-il fini ? 





CHAPITRE 5 

Lecture théologique du spectre du rougue 



Le chapitre final propose une lecture théologique de l'expérience du PT, utilisant la pensée de Paul Tillich. L'auteur soutient que la politique et la religion ne s'excluent pas mutuellement — toutes deux traitent de questions de pouvoir, de justice et de sens. Tillich distingue l'amour (volontaire, personnel, sacrificiel) et le pouvoir (coercitif, impersonnel, institutionnel). La justice est le pont entre eux : c'est la manière dont le pouvoir doit être exercé pour servir l'amour. Le christianisme social, avec son accent sur l'option préférentielle pour les pauvres et la dignité humaine, a un rôle critique à jouer au sein d'un parti de travailleurs : il doit rappeler que la misère n'est pas seulement économique, mais humaine. Le chapitre introduit le concept de "kairós" — le temps de la révolution, de l'irruption du nouveau. L'utopie socialiste est l'attente/l'espérance du kairós. L'auteur soutient que le PT, en désenchantant son utopie, a perdu le sens du kairós et est devenu l'otage du principe bourgeois. La tâche du christianisme social est de critiquer tant l'utopie que le kairós, rappelant que la justice est inconditionnelle et que la foi chrétienne doit être "infrastructurelle" — non comme superstructure légitimant le pouvoir, mais comme cri des exclus. Le chapitre conclut que le succès du processus dépend de l'intégration entre théorie et praxis, et que le christianisme social doit encourager les chrétiens à s'engager en politique comme un "exercice d'amour plus grand". 





CONSIDÉRATIONS FINALES 



Le livre conclut que le christianisme social fut fondamental dans la formation du PT, offrant une vision éthique et utopique qui complétait le socialisme démocratique. La présence chrétienne au PT apporta une dimension de solidarité et de justice qui allait au-delà du matérialisme historique. Cependant, au fil des années, le PT abandonna progressivement son utopie socialiste, devenant un parti travailliste pragmatique puis réformiste. L'auteur soutient que ce désenchantement de l'utopie est une tragédie non seulement pour le PT, mais pour la politique brésilienne dans son ensemble, car il laissa la classe ouvrière sans représentation politique véritablement transformatrice. Le christianisme social, cependant, demeure une force critique, rappelant que la politique doit servir la justice et la dignité humaine. Le livre se termine par un appel à l'espérance : malgré les défaites et le pragmatisme, le kairós — le temps de la révolution — peut toujours faire irruption à nouveau, pourvu qu'il y ait des personnes disposées à maintenir vivante l'utopie socialiste et chrétienne. 













mardi 23 juin 2026

Perception et destin

Perception et destin
La douleur de notre âme

Jorge Pinheiro

Lorsque nous sommes malades et que nous devons entendre des affirmations qui nous choquent, qui nous déstabilisent, nous sommes saisis par des sentiments que, à tout le moins, nous pouvons appeler peur et terreur.

Et puis l'envie de fuir grandit et nous courons sous la douche, peu importe qui nous voit nu. Nous voulons un corps léger, sans la chaleur de la fièvre et de la culpabilité. Et tout propre, des vêtements propres, qui couvrent la nudité et la peur. Mais la tête et l'oreille gauche bourdonnent encore, rappelant une ruche en pleine activité.

La douleur de notre âme s’interroge sur le fondement de l’autorité et les ressorts de l’obéissance. La thèse en est hardie : la servitude, contrairement à l’idée commune, n’est point imposée par la force ; elle est consentie. Comment, sans cela, quelques hommes pourraient-ils assujettir tout un peuple ? Nul pouvoir, fût-il conquis par les armes, ne saurait durablement asservir une société sans la complicité, active ou tacite, d’une partie de ses membres.

Le Discours de la servitude volontaire, œuvre immortelle d’Étienne de La Boétie (1530-1563), fut composé par son auteur dans la fleur de sa jeunesse — à peine seize ou dix-huit ans — et ne parut qu’après sa mort, d’abord en fragments latins (1574), puis en sa version intégrale en langue française (1576). Ce court réquisitoire contre la tyrannie frappe par son érudition précoce et la vigueur de sa pensée, chose rare sous une plume si jeune.

Ainsi que l’écrit La Boétie d’une plume ferme : « Soyez résolus de ne servir plus, et vous voilà libres. »

Le Discours fut écrit au lendemain de la défaite du peuple face à la Couronne, lors de la révolte contre la gabelle, l’impôt sur le sel. Il se fait l’écho d’un ardent éloge de la liberté, s’attachant à saisir les causes de l’assujettissement du grand nombre au petit, l’indignation que suscite l’oppression, et les voies pour y mettre fin. Dès son intitulé, l’ouvrage soulève une énigme : comment la servitude peut-elle être volontaire ? Comment des cités entières plient-elles sous la volonté d’un seul ? D’où celui-ci tient-il ce pouvoir de régner sur tous ? Par la servitude volontaire, répond La Boétie.

Il en tire ce principe fondateur : les hommes se soumettent eux-mêmes ; s’ils voulaient vraiment la liberté, il leur suffirait de se révolter.

Étienne affirme qu’il est possible de résister sans violence : la tyrannie s’effondre d’elle-même dès lors que les hommes refusent d’acquiescer à leur propre asservissement. Puisque l’autorité tire sa force de l’obéissance des opprimés, une résistance collective et non violente devient possible — pourvu que l’on organise le refus de collaborer.

« Nous tenons à la qualité des hommes, en premier lieu parce qu’elle nous est utile, ensuite parce que nous voulons leur faire plaisir (les enfants à leurs parents, les élèves à leurs maîtres, et généralement les personnes bienveillantes à toutes les autres). Ce n’est que lorsque la bonne opinion des hommes importe à quelqu’un, abstraction faite de tout avantage ou de son désir de plaire, que l’on parle de vanité. » Friedrich Nietzsche in Humain, trop humain.

Qu’est-ce que l’humain ? Il existe des approches fondamentales qui peuvent nous orienter vers une compréhension plus ample de l’humain. La première d’entre elles s’appuie sur l’antique vision du monde hébraïque et présente une anthropologie de l’unicité humaine.

Deux textes du Livre des Origines sont paradigmatiques dans cette lecture. Le premier se trouve en Genèse 1.26 et rapporte que l’Éternel a dit : « Faisons l’humain, qui sera comme Nous, qui Nous ressemblera. » Et ainsi l’Éternel construisit les humains ; semblables à Lui. Le second texte décrit le mode de construction de l’humain, il est en Genèse 2.7 et dit que « de la poussière de la terre, l’Éternel forma l’humain. Il insuffla dans ses narines une respiration de vie et ainsi cet être devint vivant ».

À partir du second texte, nous pouvons comprendre que la matière première utilisée par l’Éternel pour construire l’humain est ordinaire : c’est une unité de carbone, un matériau appartenant à l’ordre commun du ló nefesh, qui donne également forme aux êtres inanimés et aux animaux. Ainsi, c’est le souffle de l’Éternel qui rend spéciale cette matière ordinaire. Nous pouvons alors nous poser cette question : sommes-nous seulement en présence d’un symbole ou, en réalité, la force créatrice de l’Éternel a-t-elle transmis à l’humain non seulement la vie, mais aussi l’intensité et la profondeur ? D’une certaine manière, il n’est pas absurde de dire que les êtres célestes sont des créatures spirituelles. Leur existence procède de l’extérieur de la force créatrice de l’Éternel. L’extériorisation se traduit par le fait que la force créatrice s’exerce à travers la parole, par un ordre créateur de l’Éternel.

L’expression nefesh, présente dans le second texte, conduit à une conception de l’extérieur versus l’intérieur, et s’appuie sur le texte du Deutéronome 32.9, lorsqu’il affirme que « une part de l’Éternel constitue son peuple », puisqu’elle mobilise différents niveaux de la force créatrice.

En ce sens, la nefesh, fruit du souffle primordial, procède de l’intériorité de l’Éternel et c’est pourquoi elle est connue comme Ein Soph, qui vient de son for intérieur. « Il insuffla » doit être entendu comme la continuité de l’affirmation « Faisons l’humain » (Gn 1.26), de sorte que la nefesh relie le ciel et la terre, ce qui est en haut et ce qui est en bas. C’est pourquoi, dans la tradition antique des Hébreux, bien que moins forts, les humains sont supérieurs aux anges, car ils procèdent de l’intériorité de l’Éternel : ils traduisent l’action médiatrice et conjonctive de la force créatrice.

Ainsi, l’humain procède d’attributs divins non ostensibles, discrets, qui se traduisent par l’intégralité, la pluralité, la liberté, la sagesse, la compréhension et l’ouverture à la transcendance. La nefesh se révèle comme une nature qui devient compréhensible et intelligible. Elle est le débordement et la transparence de l’esprit de l’Éternel, ce qui indique un débordement et une transparence dans l’humain, qui relie l’immanence et la transcendance.

Mais le texte de la Genèse 2.7 parle de respiration et de ce que l’humain vient à être : il n’a pas une nefesh, il est une nefesh. La pensée littéraire des Hébreux était synthétique. Dès lors, la clé pour parvenir à une compréhension analytique de celle-ci exige d’identifier à quelle partie du corps l’humain peut être comparé et où l’agir humain interfère avec la nefesh. C’est ce que montrent les différents sens de la nefesh.

« Le séjour des morts ouvre sa nefesh, il béante démesurément ». Isaïe 5.14. « Il ouvre sa nefesh sans mesure, comme le séjour des morts, et il est comme la mort, ne se rassasiant jamais ». Habacuc 2.5.

Bien que l’expression nefesh apparaisse 755 fois dans les Écritures hébraïques et soit traduite six cents fois dans la Septante, en grec, par psychè, dans la majorité des citations en hébreu, le sens littéral de gorge et d’estomac transmettent l’idée de besoin, de quelque chose de difficile à rassasier. En ce sens, le mot âme, traduction du grec psychè, nous donne une traduction incomplète, car l’idée est que l’Éternel a construit l’humain de la poussière de la terre et a insufflé dans ses narines son haleine et l’humain est devenu un vivant qui a besoin de Lui pour être rassasié.

La nefesh ne traduit rien de bon ou de mauvais en soi, mais une existence collée à la réalité des besoins fondamentaux de l’humain, lesquels, s’ils ne sont pas comblés, produisent aliénation, incrédulité, idolâtrie, ignorance, individualisme et servitude.

Mais comment le souffle de l’Éternel a-t-il pu engendrer un humain doué d’une telle propension à la liberté ? Si nous entendons la nefesh comme la figure des besoins vitaux, des mouvements émotionnels de l’âme, nous sommes conduits à comprendre la pensée synthétique hébraïque qui voit la nefesh comme la synthèse de la vie elle-même. Ainsi, les besoins humains créés par l’Éternel Lui-même ne peuvent être rassasiés que par Lui.

« Qui me trouve, trouve la vie et obtient la bienveillance de l’Éternel. Qui ne me trouve pas, fait violence à sa nefesh. Tous ceux qui me haïssent aiment la mort ». Proverbes 8.35-36. « Ô Éternel, Tu as fait remonter ma nefesh du séjour des morts ». Psaumes 30.4.

Dans le récit de la Genèse 2.7, l’humain est défini comme nefesh hayah, un être vivant, qui a besoin d’être rassasié. C’est pourquoi, comme nous l’avons vu, lorsqu’il est intégré à l’Éternel, la nefesh est débordement et transparence de l’esprit de l’Éternel, ce qui indique un débordement et une transparence dans l’humain, de ce qui relie ce qui est en bas à ce qui est en haut.

Mais cette nature se constituera également comme l’expansion des significations de l’image de l’Éternel, en grâce et en amour. « Il insuffla » traduit le fait que les choses de l’intellect et du cœur s’expriment à travers les organes de la parole, en particulier la gorge et la bouche, qui rendent possible le souffle. Ce schéma symbolise l’intériorité de la nature humaine. Par conséquent, pour que l’humain puisse donner de l’intensité et de la profondeur à son intelligence, il a besoin d’amour et de grâce, qui naissent de l’intériorité de l’Éternel. En Genèse 2.7, « Il insuffla » signifie que Celui qui a insufflé l’a fait dans une direction déterminée et avec un objectif défini.

Il y a toujours une part d'aventure et de risque dans toute énonciation de la vérité. Mais, malgré cela, nous devons courir ce risque, sachant que c'est le seul moyen par lequel la vérité puisse être révélée à des êtres finis et historiques.

Lorsque nous entretenons une relation avec le Logos éternel et que nous cessons de craindre la menace du destin démoniaque, nous acceptons alors la place qui revient au destin dans notre pensée. Nous constaterons que dès le principe nous fûmes soumis au destin et que nous avons toujours désiré nous en affranchir, mais sans jamais y parvenir.

Tâche théologique de la plus haute importance, dans l'analyse chrétienne du destin, que de savoir relier le Logos et le kairós. Le Logos doit atteindre le kairós. Le Logos doit englober la plénitude du temps et le destin de l'existence. La séparation entre le Logos et l'existence a pris fin. Le Logos a atteint l'existence, il a pénétré dans le temps et le destin. Et cela est advenu non comme une chose extérieure à lui-même, mais parce que c'est l'expression de son propre caractère intrinsèque, de sa liberté.

Il est nécessaire, pourtant, de comprendre que tant l'existence que la connaissance humaine sont soumises au destin, et que l'immuable et éternel royaume de la vérité n'est accessible qu'à la connaissance libérée du destin : la révélation. De cette manière, contrairement à ce que pensaient les Grecs, l'humain possède une potentialité propre, en tant qu'être, pour accomplir son destin. Plus grande est la potentialité de l'être – qui croît à mesure qu'elle est envahie et dominée par le Logos – plus profondément son savoir est impliqué dans le destin.

Notre destin, qui peut ici s'entendre comme mission, est de servir le Logos dans un nouveau kairós, qui émerge des crises et des défis de nos jours. Plus profondément nous comprendrons notre destin [au sens de prokeimai, être placé, être proposé] et celui de notre société, plus libres nous serons. Alors, notre travail sera plein de force et de vérité.

« L'intérêt pour soi-même, le désir de se satisfaire atteignent chez le vaniteux un tel degré qu'il induit les autres à une fausse estime de soi, trop élevée, et puis il se fie, malgré tout, à l'autorité des autres : de la sorte, il provoque l'erreur et pourtant lui accorde crédit. Il faut donc admettre que les vaniteux ne veulent pas tant plaire à autrui qu'à eux-mêmes, et qu'ils en viennent à en négliger leur profit ; car souvent ils tiennent à susciter chez leurs semblables des dispositions défavorables, hostiles, envieuses, à leur détriment en conséquence, uniquement pour avoir la satisfaction de leur moi, le contentement de soi. » Friedrich Nietzsche inHumain, trop humain.

Paul dira dans une prière : « Que le Dieu de la paix vous sanctifie lui-même tout entiers, et que tout votre être, l'esprit (pneuma), l'âme (psychè) et le corps (soma), soit gardé irréprochable pour l'avènement de notre Seigneur Jésus-Christ. » Première épître aux Thessaloniciens 5.23.

Si le soma est l'espace de l'Éros, de la vie et de la matérialité ; et la psychè l'espace du logos, de la raison et de la sensibilité ; le pneuma est l'espace de la spiritualité, entendue en grec comme poïésis, espace de l'expérience esthétique, qui répond au besoin créateur du sens de la vie.

Ainsi, le sens de la vie n'est pas l'expérience exclusive de la personne religieuse, mais une expérience qui traduit la créativité humaine. Une telle spiritualité, ou pnéumique, est gratuite. Cette grâce réside dans l'acte de faire avec imagination, dans l'inventivité.

Parmi les Pères de l'Église, suivant Paul, Origène (185-254) voyait l'humain comme une tri-unité et reliait la conscience trinitaire à sa lecture et interprétation des Écritures. Pour lui, dans le soma résidait le sens littéral de la compréhension de la révélation ; dans la psychè, son sens moral ; et au niveau du pneuma, le sens symbolique. Autrement dit, la compréhension même de la révélation devait passer par ces niveaux de la conscience humaine.

Et parce que l'activité humaine advient au sein de la culture, qui émeut, Thomas d'Aquin vit la quête de la beauté comme une quête de la totalité, de ce qui est plein, qui permet la saisie. De cette manière, la connaissance implique l'existence d'une ontologie qui, en donnant une classification à la perception sensorielle, décrit l'expérience comme composée d'objets existant indépendamment des êtres humains. Nous avons alors les différences qui fondent la classification : humain versus non-humain.

Ainsi, la temporalité est perçue à partir de cette tri-unité de la conscience humaine : matérialité, raison, spiritualité. Et elle se présente associée aux critères de confirmation par des expériences intersubjectives. Cette conscience tripartite est le fondement du savoir dans les cultures, la source de l'intelligibilité entre les humains, mais aussi la base pour comprendre la nature et la révélation.

L'objectif de la révélation, avant d'être de répondre aux crises qui affectent l'humain, est de restaurer l'ordre de ce qui apparaît comme chaos. C'est pourquoi la critique adressée à la complexité de la révélation et à la non-régularité du comportement qu'elle propose est erronée, car elle ne comprend pas le monde comme une infinité de réalités non observables, puisque l'objet apparemment unique du point de vue du sens commun est toujours constitué d'une infinité de réalités.

Ici, ce qui importe est l'aspect qualitatif : la révélation postule des réalités pnéumiques pour expliquer la diversité des expériences observables. Quant à la non-régularité du comportement pnéumique, elle n'est patente que du point de vue de celui qui est dehors, car, pour la personne qui vit le phénomène spirituel, ces réalités sont soumises à des lois, la régularité étant la condition même de leur pouvoir explicatif.

À partir de ces lectures, en traversant la corrélation entre la nefesh des Hébreux, le soma et le logos du dualisme grec, et le pneuma de Paul l'apôtre, je peux affirmer que l'humain est construction, unicité et pluralité de la personne, dans la communauté, un être-jeté dans le cosmos. Il est image de ce qui est éternel, un être ouvert à la transcendance. Je vois qu'il y a en lui un émerveillement permanent devant l'absolu et le mystère. Et parce qu'il pense ce qui n'est pas ici et ce qui n'est pas maintenant, et qu'il réfléchit au-delà de la réalité immédiate, il trouve son plaisir à se pencher sur ce qui est éternel et transcendant.