mercredi 18 février 2026

Israel, hoje


Para pensar Israel hoje, a partir de Harari

O historiador Yuval Noah Harari escreveu um artigo – Ideologia sionista enfrenta desafios existenciais - , que foi publicado no Washington Post. Harari é professor da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Segundo Harari, os partidos sionistas podem destituir Netanyahu e conduzir Israel em um caminho mais equilibrado e pacífico.

Sem dúvida, muito interessante o artigo de Yuval Noah Harari. Dá umas boas discussões, pois ele faz afirmações que partem do coração, de um coração de judeu partido.

Por isso, pretendo aqui colocar algumas questões, partindo das preocupações de um outro judeu: Isaac Deutscher, historiador polonês, que fez duras críticas ao sionismo e analisou as consequências da criação do Estado de Israel.

Deutscher via a fundação do Estado de Israel com ceticismo. Disse que, embora compreendesse as motivações dos judeus para estabelecer um estado seguro após os horrores do Holocausto, acreditava que essa solução haveria de criar novos problemas em relação às relações entre árabes e judeus.

Deutscher criou a metáfora do "judeu na árvore" para descrever a situação dos judeus na Europa e em Israel. Ele disse que, depois do Holocausto, os judeus na Europa estavam como uma pessoa que pula de um prédio em chamas e se agarra a um galho de árvore para se salvar. Este galho é o Estado de Israel. Estar pendurado no galho não é uma solução segura, mas um ato de desespero.

Previu que a fundação de Israel levaria a um conflito contínuo com a população árabe e que, em última análise, a segurança dos judeus só poderia ser garantida por uma integração harmoniosa com seus vizinhos no Oriente Médio. 

Mas Deutscher também criticou o nacionalismo sionista por sua natureza exclusivista, argumentando que ele perpetuava divisões e conflitos na região.

Voltando ao artigo de Harari, ele criticou o levante dos judeus contra Roma, nos anos 66-73. E saltou por cima dos fatores políticos, sociais, econômicos e religiosos, que estavam na base daquela rebelião.

Esqueceu a opressão e exploração econômica, que os judeus sofriam. 

Os romanos impuseram pesados tributos e impostos, que pesavam fortemente sobre a população judaica. A administração romana era corrupta. Criou, assim, ressentimentos e dificuldades econômicas.

Harari não tocou na questão da autonomia e identidade nacional.  Os judeus queriam autonomia e liberdade para praticar a religião e preservar as tradições. O domínio romano era visto como uma ameaça à identidade nacional e religiosa judaica.

A administração romana era insensível às preocupações e práticas religiosas dos judeus.  Revoltas menores foram reprimidas com dureza, isso só aumentou a hostilidade e o desejo de resistência.

E nem tocou nas tensões propriamente religiosas. A presença romana era vista como uma profanação do solo sagrado judaico. A colocação de estátuas de imperadores romanos em locais sagrados e a interferência nos assuntos do Templo de Jerusalém aumentavam essas tensões.

Havia também uma forte crença messiânica de que um Salvador surgiria para livrá-los do domínio estrangeiro. Isso alimentava o desejo de revolta e resistência.

Como consequência, grupos guerrilheiros foram surgindo. Os zelotes e os sicários defendiam a resistência armada e mobilizaram segmentos significativos da população em torno da ideia de uma rebelião nacional.

Assim, a Revolta Judaica contra Roma, conhecida como a Grande Revolta (66-73 d.C.), foi o resultado da confluência desses fatores. Levou, a uma guerra violenta que, ao ser derrotada, culminou com a destruição de Jerusalém e do Segundo Templo em 70 d.C.

Ou seja, a guerra contra o Império Romano não foi fruto da ação de fundamentalistas enlouquecidos, mas um processo histórico que envolveu toda a nação.

E por falar em guerra, vemos que a Primeira Guerra Árabe-Israelense, conhecida como a Guerra de Independência de Israel, 1948-1949, traduz causas complexas:

Podemos dizer que o conflito nacionalista entre árabes palestinos e judeus sionistas foi um dos principais fatores. Os judeus sionistas queriam a criação de um estado judeu na Palestina, e os árabes palestinos queriam a soberania palestina sobre este mesmo território.

Mas a Declaração Balfour, emitida pelo governo britânico durante a Primeira Guerra Mundial, defendia o estabelecimento de um "lar nacional para o povo judeu" na Palestina. Isso, logicamente,  foi visto pelos árabes palestinos como uma ameaça imperialista ao seu domínio na região.

Depois da Primeira Guerra Mundial, a Palestina ficou sob o Mandato Britânico. Tal presença, aumentou as tensões, já que a imigração judaica para a região cresceu significativamente durante as décadas de 1930 e 1940.

E em 1947, a ONU propôs um plano de partição, que dividia a Palestina em um estado judeu e um estado árabe, com Jerusalém sob administração internacional. 

Os judeus aceitaram o plano, mas os árabes o rejeitaram, levando a conflitos violentos.

Em 14 de maio de 1948, os líderes sionistas declararam a independência do Estado de Israel. No dia seguinte, exércitos de países árabes vizinhos, Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque, invadiram o novo Estado, iniciando a guerra.

A guerra resultou em um número enorme de refugiados palestinos, que fugiram ou foram expulsos de suas casas. E o legado foi animosidade e reivindicações conflitantes de terras e direitos.

A guerra terminou em 1949 com acordos de armistício entre Israel e os países árabes, mas não houve um tratado de paz abrangente, deixando questões pendentes que alimentaram o conflito árabe-israelense nas décadas seguintes.

Ora, tal situação leva a uma questão político-ideológica. Na prática, é possível um sionismo não beligerante? Em teoria, o sionismo é um movimento nacionalista, que poderia adotar uma abordagem conciliadora. Algumas correntes e figuras dentro do movimento sionista defendem isso. Mas existem questões que devemos considerar:

Alguns líderes sionistas, como Ahad Ha'am, defenderam o sionismo cultural, focando na revitalização da cultura e identidade judaicas na Palestina, sem necessariamente estabelecer um Estado. 

Essa abordagem enfatizava a coexistência pacífica com os árabes locais.

Alguns grupos, como o Hashomer Hatzair e movimentos socialistas sionistas acreditavam na colaboração com os árabes para construir uma sociedade justa e igualitária. 

Eles esperavam que a cooperação econômica e social pudesse mitigar conflitos.

A possibilidade de um sionismo pacífico esteve também ligada à disposição de negociar e fazer concessões significativas. Isso inclui a aceitação de uma solução de dois estados, que implicaria na coexistência pacífica de Israel e um Estado palestino.

Vários israelenses e palestinos têm trabalhado juntos em iniciativas de paz que pudessem promover a cooperação entre as duas populações. Organizações como "Combatants for Peace" e "Parents Circle-Families Forum" traduziram esses esforços para promover um sionismo pacífico.

Essas correntes e organizações forçaram lideranças políticas a priorizar a paz e a coexistência. Este foi o caso de Yitzhak Rabin que, como sabemos, foi assassinado.

A realidade histórica e política do conflito árabe-israelense, é fato, tem sido marcada por violência e desconfiança mútua. Donde, o nacionalismo judaico, aqui traduzido em sionismo, tem caminhado para sua vertente agora dominante, expansionista, guerreira e imperial.  

As tensões territoriais, as questões de segurança e as narrativas nacionais conflitantes apresentam hoje apenas uma cara: a do sionismo de Benjamin Netanyahu ou mesmo das alas mais à direita de seu gabinete.

E voltemos a Isaac Deutscher. Para ele, paradoxalmente, Israel poderia ser um lugar perigoso para os judeus. Embora o Estado de Israel tenha sido fundado como um refúgio para os judeus após o Holocausto, sua localização e o conflito contínuo com os povos árabes vizinhos criaram uma situação de constante insegurança.

Deutscher ilustrou sua visão com a metáfora do "judeu na árvore", que vimos acima. E a principal ideologia política, que procura convencer os judeus de todo o mundo do contrário é o sionismo expansionista, guerreiro e imperial, que está à testa da situação de Israel.

Finalizando, diria: a expansão territorial e imperial de Israel, não é uma solução, mas aprofunda uma crise histórica, que remete as tragédias já vividas pelo povo judeu.



mardi 17 février 2026

Jesse Jackson

 Jesse Jackson, une voix prophétique s’est tue


Le monde perd une grande voix prophétique. Le pasteur baptiste américain Jesse Jackson s’est éteint à 84 ans. Avec lui disparaît un témoin majeur de la lutte pour la dignité humaine, dont la foi chrétienne fut indissociable de l’engagement pour la justice.


Jean-Luc Gadreau

17/02/2026

Le blog de Jean-Luc Gadreau

© capture d'écran YouTube Voices Through History

Hommage par Jean-Luc Gadreau, pasteur baptiste


Né le 8 octobre 1941 à Greenville, en Caroline du Sud, dans une Amérique encore profondément marquée par la ségrégation raciale, Jesse Jackson grandit dans un contexte d’inégalités structurelles. Très tôt, sa vocation pastorale s’accompagne d’une conscience aiguë de la responsabilité sociale de l’Évangile. Sa rencontre avec le pasteur Martin Luther King Jr. sera décisive. Il rejoint son mouvement et participe activement aux grandes campagnes pour les droits civiques dans les années 1960, incarnant cette génération de croyants pour qui la foi exigeait une traduction concrète dans l’histoire.


Après l’assassinat de Martin Luther King en 1968, Jesse Jackson poursuivra ce combat avec une détermination inlassable. Il fonde l’organisation Operation PUSH, puis la Rainbow/PUSH Coalition, cherchant à bâtir une « coalition arc-en-ciel » rassemblant les marginalisés, les minorités, les pauvres et tous ceux laissés au bord du chemin. Sa prédication, nourrie des Écritures, insistait sur la dignité irréductible de chaque être humain, créé à l’image de Dieu.


La foi en acte sur la scène politique

Candidat à l’investiture démocrate à la présidence des États-Unis en 1984 et 1988, il fut le premier Afro-Américain à remporter plusieurs primaires et à mobiliser un électorat jusque-là invisible. Au-delà des résultats électoraux, sa démarche ouvrait un horizon nouveau. Celui d’une participation politique élargie et d’une espérance partagée. Pasteur avant tout, Jesse Jackson n’a jamais cessé de porter une parole enracinée dans la tradition prophétique biblique. Sa foi n’était pas refuge, mais envoi. Il croyait en un Dieu qui appelle à relever les humiliés, à briser les chaînes de l’injustice, à bâtir la réconciliation. Sa voix, grave et vibrante, rappelait que le christianisme n’est pas seulement une confession, mais une incarnation.


Un héritage qui dépasse les frontières américaines

Sa disparition intervient dans un temps où les fractures sociales, raciales et culturelles creusent de profonds sillons. Elle nous rappelle combien le monde a besoin de figures capables de tenir ensemble foi et courage, prière et engagement. Jesse Jackson fut de celles-là. Son héritage dépasse les frontières américaines. Il appartient désormais à cette nuée de témoins qui, à travers leur engagement, ont rendu visible la puissance transformatrice de l’Évangile dans l’histoire humaine. Aujourd’hui, son silence nous interroge. Qui portera la parole lorsque la haine menace de devenir ordinaire ? Qui rappellera que la justice et la miséricorde sont au cœur de la foi chrétienne ? Mais peut-être la réponse se trouve-t-elle déjà dans le message qu’il n’a cessé de proclamer : « L’espérance n’est pas une illusion. Elle est une responsabilité ! »