Ótima pergunta! A resposta curta é não, Anakin Skywalker não faz parte da tradição judaica de forma alguma, já que é um personagem fictício da saga Star Wars, criada por George Lucas nos anos 1970.
No entanto, sua pergunta toca em um ponto interessante: os paralelos mitológicos e teológicos que a história de Anakin evoca, muitos dos quais têm raízes em tradições antigas, incluindo a judaica (e, principalmente, a cristã).
Vamos detalhar:
1. Anjos na Tradição Judaica
Na angelologia judaica (baseada no Tanakh, no Talmud e em textos místicos como a Cabalá):
· Anjos são mensageiros de Deus, seres espirituais criados para cumprir funções específicas.
· Não têm livre arbítrio como os humanos. Eles são extensions da vontade divina.
· Não têm uma "queda" por ambição pessoal. A história de um anjo que se rebela por orgulho (Lúcifer/Satanás) é uma interpretação cristã posterior, baseada em leituras de passagens como Isaías 14:12-15 (que originalmente se referia a um rei babilônico).
· Não se encarnam como humanos de forma plena. A ideia de um anjo se tornar humano não é parte da tradição judaica clássica.
2. A Jornada de Anakin: Paralelos com Mitos e Teologias
A história de Anakin (o "Escolhido" que cai no lado sombrio e depois é redimido) é uma amálgama de várias tradições:
· Narrativa Cristã/Messiânica: A ideia de um "escolhido" que traz equilíbrio, mas que é tentado e cai, lembra a queda de Lúcifer e a redenção final. O próprio George Lucas disse que a saga tem temas cristãos. O conceito de Anakin como um "messias caído" é muito mais próximo da teologia cristã do que da judaica.
· Tragédia Grega: Anakin é uma figura trágica, com um defeito de caráter (medo de perder entes queridos) que leva à sua queda, similar a heróis como Édipo ou Aquiles.
· Mitologia Universal: A jornada do herói, a luta entre bem e mal, e a figura do "salvador" são arquétipos presentes em muitas culturas.
3. Onde a Tradição Judaica Pode Oferecer um Paralelo (Indireto)
Embora a figura de Anakin não seja um anjo judaico, alguns conceitos da mística judaica (Cabala) ressoam de forma interessante com sua história:
· Qlifot/Qliphoth: Na Cabala, são as "cascas" ou forças de impureza e escuridão que se opõem à santidade (Sefirot). A queda de uma pessoa no domínio das Qlifot, aprisionada por suas paixões e ego, é uma metáfora poderosa para a queda de Anakin no "lado sombrio".
· Tikkun Olam ("Reparo do Mundo"): A ideia de que o mundo está fragmentado e precisa de reparo espiritual. A profecia sobre o "Escolhido" que traria equilíbrio à Força pode ser vista como um tipo de Tikkun. A redenção final de Anakin ao derrotar o Imperador é um ato de Tikkun pessoal e cósmico.
· A Batalha Interna (Yetzer HaTov vs. Yetzer HaRa): O conceito judaico do "Bom Impulso" e do "Mau Impulso" dentro de cada pessoa reflete perfeitamente a luta interna de Anakin entre o lado luminoso e o lado sombrio.
Conclusão
Anakin Skywalker não é e nunca foi considerado um anjo na tradição judaica. Sua história, porém, é uma narrativa moderna que empresta e reconta temas mitológicos universais, incluindo alguns que ecoam conceitos judaicos (especialmente da Cabala) e, mais fortemente, narrativas cristãs sobre queda e redenção.
Portanto, enquanto a origem do personagem é puramente ficcional e cinematográfica, os temas de sua jornada dialogam com ideias antigas presentes no judaísmo e em muitas outras tradições espirituais sobre a tentação, a queda, o conflito interno e a possibilidade de redenção.